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Qual a sua verdadeira história? Reflexões do Filme: “Sete minutos depois da meia noite”.

By 7 de julho de 2017Filmes, Tatiane Medeiros
Adoro filmes que nos fazem pensar e refletir sobre assuntos diversos do nosso cotidiano, eles são formas criativas e fantasiosas de mostrar dilemas, conflitos e historias da nossa vida. E assim é o Filme “Sete minutos depois da meia-noite”, com muitos conflitos, sofrimentos e dilemas: morte e luto, tristeza, doença da mãe, ausência do pai, uma avó não tão afetuosa, bullyng. Muita reflexão, muitos estímulos para o nosso sentir.

Sete minutos depois da meia noite conta a historia de um garoto de 13 anos de idade, que enfrenta vários problemas de uma única vez. O filme começa com um pesadelo recorrente de Conor, um cemitério, a terra engolindo sua mãe, e ele não consegue salva lá. Já aqui muita coisa para pensar e sentir. O pesadelo de Conor é a expressão inconsciente do maior medo que ele vive no momento: o medo de perder sua mãe. E quem não tem medo de perder a mãe?! Acredito que esse é o maior e mais assustador dos todos os nossos medos. Em qualquer idade da vida precisamos e queremos a nossa mãe por perto, e imagino que perder a mãe é algo muito dolorido. É ver o nosso primeiro amor ir embora. Apenas imagino, e sinto muito para aqueles que já perderam. E já aqui o filme nos coloca em contato com esse medo.

Pra passar por todos esses desafios, Conor conversa com uma árvore, isso mesmo, parece loucura, e muito fantasioso, mas é um filme e em filmes e na nossa imaginação tudo pode acontecer, até mesmo uma árvore ganhar vida. Essa árvore conta três historias para ele, historias que o ajudam a enfrentar tudo o que está passando no momento. Na verdade penso que essa arvore seria o inconsciente de Conor.

O inconsciente são todos nossos conteúdos mentais e emocionais não acessados pela razão, pela consciência no momento presente. Nele estão todas as nossas memórias esquecidas, experiências, percepções subliminares, experiências afetivas, sensações e intuições; tudo o que vivemos e sentimos desde a nossa concepção. É como uma “gaveta” psíquica que guarda tudo o que já vivemos, todas nossas fantasias, desejos e emoções.

A árvore, que parece um grande monstro, conta historias para o garoto, mas em troca quer ouvir a verdadeira historia dele. E pra mim essa é a grande lição do filme. Depois de contar três contos para o garoto, a árvore exige que Conor conte o seu conto, a sua historia, a sua verdadeira historia.
Muitas das vezes inventamos algumas historias pra nós mesmo sobre algumas situações que vivemos, histórias consoladoras, histórias mentirosas, só pra fingir que estamos bem, ou pra não entrar em contato com a realidade. Tenho uma professora, Wilma, que diz que “tem um lugar aqui dentro de nós que escondemos coisas de nós mesmo”; e são essas coisas que escondemos de nós mesmo, que é a verdadeira historia. Às vezes a verdade dói, e não é a verdade que queremos, mas enquanto não aceitamos a realidade tal como é, ficamos aprisionados em sofrimentos, dores, tristezas e na não solução do problema. A cura vem primeiro da aceitação da realidade tal como ela é, sem medo, sem intenção, apenas aceitar e viver o que realmente é. E aceitar não significar que não vai doer, que não vai causar tristeza.

E que difícil aceitar a verdadeira historia que estava dentro do coração de Conor. Não vou contar aqui, pra não ser a chata que conta o final do filme. Mas diante dessa reflexão que o filme me causou, eu convido você a pensar: “Qual a sua verdadeira história?”.

E compartilho uma historia da minha vida com vocês:
Eu tive um primeiro namorado, vivemos muitas coisas lindas juntos, até mesmo uma promessa de casamento, num certo momento ele se apaixonou por outra pessoa, terminamos, e diante desse término contei a seguinte historia pra mim mesma: “está tudo bem, ele fez a escolha dele, essas coisas acontecem, estou bem”. E vivi com essa historia durante muitos anos, contava essa historia para todos que me perguntavam sobre ele, e o pior, ou o melhor, não sei, eu contava essa historia pra mim mesmo, e acreditava. Mas, lá naquele lugar que escondemos coisas de nós mesmo, a verdade era outra. Na realidade, eu estava esperando ele voltar, e lá no fundo do meu coração a historia era assim: “Um dia ele vai perceber que eu sou o grande amor da vida dele, e vai voltar”. E como eu disse, essa verdade estava guardada, bem no fundo, que nem mesmo eu tinha consciência e NÃO queria que essa fosse a verdade. E assim vivia minha vida à espera dele, não me relacionava com ninguém, e isso me aprisionava, me causava sofrimento, tristeza e solidão. Até que um dia, num processo terapêutico, tomei consciência da MINHA VERDADEIRA HISTORIA, e com muita dificuldade eu assumi e aceitei essa historia, e só assim pude mudar meus sentimentos, mudar minha expectativa, e seguir a minha vida.

Poderia escrever outras grandes reflexões que o filme nos trás, a tristeza, que muitas das vezes nos é ensinado que é um sentimento ruim; a importância de vivenciar o luto quando perdemos algo ou alguém; as conseqüências de guardar os sentimentos… e ainda a lição que cada conto contado pela árvore nos trás, afinal histórias são grandes oportunidades para aprender um pouco mais da vida. Mas vou finalizar aqui e convido você para assistir o filme, e de uma forma lúdica e
terapêutica deixar que as historias do filme lhe traga algo a sua consciência.

Tatiane Medeiros Cunha
Psicóloga

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